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domingo, 8 de maio de 2011

II SEMINÁRIO ENLAÇANDO SEXUALIDADES - BA

II SEMINÁRIO ENLAÇANDO SEXUALIDADES 
Direito, Relações Etnorraciais, Educação, Trabalho, Reprodução, Diversidade Sexual, Comunicação e Cultura
4 a 6 de Setembro de 2011
 Neste ano, os eixos temáticos giram em torno das áreas de Direito, Relações Etnorraciais, Educação, Trabalho, Reprodução, Diversidade Sexual, Comunicação e Cultura.
 O Enlaçando Sexualidades está com as inscrições abertas e busca reunir pesquisador@s, professor@s, estudantes universitári@s, integrantes dos movimentos sociais, que discutam sobre a(s) sexualidade(s) transversalizando-a com as diferentes áreas do saber.
Para mais informações, acesse o site www.ses2011.uneb.br!


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Direito, Relações Etnorraciais, Educação, Trabalho, Reprodução, Diversidade Sexual, Comunicação e Cultura
4 a 6 de Setembro de 2011


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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Direto do Plenário: Intervalo suspende julgamento sobre reconhecimento de união homoafetiva

Quinta-feira, 05 de maio de 2011

Após os votos dos ministros Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa, pela procedência da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4277 e da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento por 20 minutos. As ações pedem o reconhecimento da união estável de casais do mesmo sexo.

Apesar de entender que o artigo 226, parágrafo 3º, da Constituição Federal, não prevê no rol das famílias a união homoafetiva estável, o ministro Ricardo Lewandowski disse que tal união é uma realidade hoje. Por isso, ele decidiu adotar o que chamou de “integração analógica”, ou seja, que se aplique a essa nova relação a legislação mais próxima, até que ela seja definitivamente regulada por lei aprovada pelo Congresso Nacional.

O ministro Joaquim Barbosa considerou que a Constituição Federal pretende extinguir ou, pelo menos, mitigar a desigualdade fundadas no preconceito. Segundo ele, a Constituição “estabelece, de forma cristalina, o objetivo de promover a justiça social e a igualdade de tratamento entre os cidadãos”. Além disso, ressaltou que entre os objetivos fundamentais da República, estão o de promover o bem de todos sem preconceitos de raça, sexo, cor, idade ou quaisquer outras formas de discriminação.

Fonte: site do STJ

A HORA É AGORA — APROVE PLC122 Ponha seu rosto na petição fotográfica!

O Brasil, país com uma das taxas mais altas de homicídios de LGBT em todo o mundo, está debatendo um projeto de lei importante Anti-Homofobia (PLC 122) no Congresso, que se aprovado finalmente garantiria a TODOS e TODAS brasileiras e brasileiros a mesma proteção legal.


Adicione seu rosto à nossa petição fotográfica, que será transformada numa mostra fotográfica contra a homofobia em Brasília, tão grande que o governo não poderá ignorar. As fotos serão projetadas no centro da capital federal no dia 17 de maio, Dia Internacional contra a Homofobia e a Transfobia:

Siga estes passos

1. Imprima o cartaz aqui
(Ou faça o seu: mas por favor inclua o texto “A hora é agora. Aprove o PLC 122")
2. Tire uma foto rápida de você segurando o cartaz.
3. Envie por e-mail para: images@allout.org
Valeu!! Agora, conte para todo mundo e convide seus contatos a fazerem o mesmo! Use o Facebook e o Twitter para uma boa causa! Nós te manteremos a par de como esta simples ação terá ajudado a fazer avançar essa legislação tão importante.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Saúde inclui violência doméstica e sexual na lista de agravos de notificação obrigatória

6/01/2011 - 15h16

Christina Machado e Alex Rodrigues
Repórteres da Agência Brasil
Em Brasília
Desde 26/01 os profissionais de saúde e de estabelecimentos públicos de ensino estão obrigados a notificar as secretarias municipais ou estaduais de Saúde sobre qualquer caso de violência doméstica ou sexual que atenderem ou identificarem. A obrigatoriedade consta da Portaria nº 104 do Ministério da Saúde, publicada hoje (26), no Diário Oficial da União - texto legal com o qual o ministério amplia a relação de doenças e agravos de notificação obrigatória.
Atualizada pela última vez em setembro de 2010, a Lista de Notificação Compulsória (LNC) é composta por doenças, agravos e eventos selecionados de acordo com critérios de magnitude, potencial de disseminação, transcendência, vulnerabilidade, disponibilidade de medidas de controle e compromissos internacionais com programas de erradicação, entre outros fatores.

Com a inclusão dos casos de violência
doméstica, sexual e outras formas de violência, a relação passa a contar com 45 itens. Embora não trate especificamente da violência contra as mulheres, o texto automaticamente remete a casos de estupro e agressão física, dos quais elas são as maiores vítimas. A Lei 10.778, de 2003, no entanto, já estabelecia a obrigatoriedade de notificação de casos de violência contra mulheres atendidas em serviços de saúde públicos ou privados.

Responsável pelas delegacias da Mulher de todo o estado de São Paulo, a delegada Márcia Salgado acredita que a notificação obrigatória dos casos de violência, principalmente sexual, vai possibilitar o acesso das autoridades responsáveis por ações de combate à violência contra a mulher a números mais realistas do problema. De acordo com ela, os casos de agressão contra a mulher não tinham que ser obrigatoriamente notificados à autoridade policial.


"A lei determina que cabe à vítima ou ao seu representante legal tomar a iniciativa de comunicar a polícia. No momento em que isso passa a ser de notificação compulsória e a equipe médica tem que informar a autoridade de Saúde, fica mais fácil termos um número mais próximo da realidade", disse a delegada à
Agência Brasil, destacando a importância de que a privacidade das vítimas de violência, principalmente sexual, seja preservada.

Já o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Marcos Gutemberg Fialho da Costa, destaca que as notificações de doenças e agravos sempre incluem o nome do paciente e que a responsabilidade pela preservação da privacidade das vítimas de violência será das secretarias de Saúde e dos responsáveis pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).


Ginecologista, Fialho confirma que, até
hoje, os médicos e profissionais de saúde só denunciavam os casos de violência com a concordância dos pacientes, a não ser em casos envolvendo crianças e adolescentes, quando, na maioria das vezes, o Conselho Tutelar era acionado. Para o médico, a inclusão da agressão à integridade física na lista de notificações obrigatórias é um avanço, mas o texto terá que ficar muito claro, já que o tema violência contra a mulher ainda suscita muita polêmica, e cada profissional terá que usar de bom senso, analisando caso a caso, para não cometer injustiças e também não se sujeitar a sofrer processos administrativo e disciplinar.

Segundo o Ministério da Saúde, a atualização da lista ocorre por causa de  mudanças no perfil epidemiológico e do surgimento de novas doenças e também da descoberta de novas técnicas para monitoramento das já existentes, cujo registro adequado permite um melhor controle epidemiológico. Na última atualização haviam sido acrescentados à lista os acidentes com animais peçonhentos, atendimento antirrábico, intoxicações por substâncias químicas e síndrome do corrimento uretral masculino.


A Portaria nº 104 também torna obrigatória a notificação, em 24 horas, de todos os casos graves de dengue e das mortes por causa da doença às secretarias municipais e estaduais de Saúde. Também devem ser comunicados todos os casos de dengue tipo 4. As secretarias, por sua vez, devem notificar as ocorrências ao Ministério da Saúde.


Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2011/01/26/saude-inclui-violencia-domestica-e-sexual-na-lista-de-agravos-de-notificacao-obrigatoria.jhtm 

udiência Pública sobre crimes contra travestis e transexuais no Estado da Bahia

Convite
O secretário da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos
Almiro Sena
 Tem a honra de convidar V.Sa. para participar de Audiência Pública sobre crimes contra travestis e transexuais no Estado da Bahia,  no próximo dia 05 de maio  de 2011, às 9h30, no auditório Pedro Milton de Brito, 4ª Avenida, nº 400 – Centro Administrativo da Bahia, térreo da SJCDH.

Câmara dos Deputados realiza audiência pública sobre preconceito, discriminação e bullying na educação

A audiência acontece nesta quarta-feira, 4/5, como principal atividade da Semana de Ação Mundial 2011, organizada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Haverá também oficina de grafite com jovens do DF, que vão expor seus trabalhos no Congresso Nacional.
 
Em parceria com a Comissão de Educação e Cultura, a Campanha Nacional pelo Direito à Educação fará uma audiência pública para que deputadas e deputados ouçam as preocupações e reivindicações da sociedade civil organizada quanto ao enfrentamento de leis, políticas e práticas discriminatórias na educação.
Várias organizações apóiam a Semana de Ação Mundial no Brasil, entre elas Unesco e Unicef. Um filme com Lázaro Ramos, cedido pelo Unicef, está sendo divulgado no blog da Semana (semanaacaomundial2011.wordpress.com). Haverá sorteio de kits com camisetas, bolsas e outros materiais promocionais pelo twitter no período da SAM, que se estende de 2 a 8 de maio (#semanaacaomundial). 
 
Expositores Para a audiência pública foram convidados expositores que abordarão campos específicos de discriminação na educação, como racismo, homofobia, preconceito contra pessoas do campo e contra deficientes, entre outros. São eles:
Maria Nazaré Mota de Lima – Coordenadora da Área de Educação - Ceafro (Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA)
Cleodelice Aparecida Zonato Fante – Plan (Pesquisa sobre bullying escolar e campanha Aprender Sem Medo)
Claudia Maia – Coordenadora Técnica da ONG Escola de Gente
Daniel Cara – Coordenador Geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Denise Carreira Soares – Relatora da Relatoria Nacional do Direito Humano à Educação
Maria Cristina Vargas – Coletivo de Educação do MST
Maria Helena Franco – Coordenadora do Projeto Escola sem Homofobia na ECOS Comunicação em Sexualidade
Toni Reis – Presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais)
 
Oficina de grafiteNa terça-feira, 3/5, véspera da audiência pública, será realizada uma oficina de grafite com jovens de escolas públicas do DF. Os trabalhos resultantes da oficina serão levados à audiência no Congresso Nacional. A oficina será ministrada por Giordana Moreira e pela grafiteira Aila, do coletivo Artefeito, do Rio de Janeiro, que já trabalha com o tema da educação não sexista, desenvolvendo a campanha “Arte PENSE - Graffiti por uma educação não sexista”. Participarão da atividade cerca de 15 adolescentes de escolas públicas de Brasília, envolvidos no projeto Criança no Parlamento, do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos). “Esperamos trabalhar com a realidade desses jovens na oficina. Queremos abordar a visão deles, o que eles vivem de discriminação e o que eles necessitam para enfrentar isso. Através do grafite, vamos expressar suas demandas, que levaremos para a audiência pública”, afirma Giordana.
 
Dados sobre preconceito, discriminação e bullying na educação
Alguns dados retirados do material educativo da Semana mostram desigualdades e discriminações no ambiente escolar.
·         de acordo com a pesquisa “Preconceito e discriminação no ambiente escolar”, do Inep, as principais vítimas de bullying na escola são as pessoas negras, os pobres, homossexuais, mulheres e idosos.
·         na pesquisa sobre bullying escolar , da Plan Brail de 2009, 70% dos estudantes responderam ter presenciado cenas de agressões entre colegas, e 30% declararam ter vivenciado ao menos uma situação violenta em 2009.
·         das 680 mil crianças de 7 a 14 anos fora da escola, 450 mil são negras (correspondendo a 66%), segundo pesquisa do Unicef, com dados da Pnad 2007;
·         o analfabetismo entre adolescentes negros de 12 a 17 anos é quase duas vezes maior do que entre brancos, de acordo com a pesquisa citada acima;
·         39,6% dos estudantes de sexo masculino não gostariam de ter um colega de classe homossexual, segundo pesquisa da Unesco de 2004;
·         60% das(os) professoras(es) afirmaram não ter conhecimento suficiente para lidar com a questão da homossexualidade na sala de aula, de acordo com a mesma pesquisa acima;
·         70,64% da população brasileira de 0 a 18 anos que está fora da escola é de crianças, adolescentes e jovens com deficiência, segundo cálculos do MEC.
·         O país tem avançado na inclusão de pessoas com deficiência no ensino regular: de 1998 a 2010, as taxas de matrícula em ensino regular de pessoas com deficiência passaram de 13% a 69%. Mas as crianças, jovens e adultos matriculados enfrentam enorme preconceito. Em pesquisa do Inep, mais de 96% dos respondentes confirmaram predisposição de manter algum grau de distância em relação a pessoas com deficiência.
[Veja mais dados no folder da SAM 2011, clicando aqui].
 
Reivindicações
Durante a audiência de 4 de maio, a Campanha apresentará diversas reivindicações ao Estado brasileiro. Entre elas, a implementação imediata do item “Direito à Educação” do Programa Brasil sem Homofobia, que prevê formação inicial e continuada de professoras na área da sexualidade e aprovação e disponibilização do kit Escola sem Homofobia para escolas públicas.
Outra reivindicação é pelo fim do ensino religioso nas escolas públicas e da compra de livros religiosos pelos governos. Está em andamento junto ao STF (Supremo Tribunal Federal) a ADI 4439 (Ação Direta de Inconstitucionalidade), que pede a interpretação conforme a Constituição do art. 33 da LDB e do art.11 da Concordata, acordo firmado entre o Brasil e a Santa Sé em 2008. Tal interpretação determinaria que o ensino religioso previsto nessas normas seja somente de caráter não-confessional, com a proibição de contratação de professores vinculados às confissões religiosas. Como alternativa, pede a declaração de inconstitucionalidade da expressão "católico e de outras confissões" na Concordata. O requerimento partiu do Procurador da República Daniel Sarmento e de Waldemar Zveiter, ex-ministro do STJ (Supremo Tribunal de Justiça).
[Veja mais reivindicações no folder da SAM 2011, clicando aqui.]
 
Eventos em todo o Brasil
Além da audiência pública em Brasília, organizações locais realizam atividades sobre o tema da SAM 2011. São 26 atividades locais já confirmadas pelo Brasil, como por exemplo, um encontro de autores em Braille, no município de Taguatinga (DF), em que haverá leituras feitas pelos deficientes visuais de livros sobre educação não-discriminatória.
[Veja as atividades locais já confirmadas, clicando aqui.]
 
O que é a Semana de Ação Mundial
A Semana é uma iniciativa da Campanha Global pela Educação e acontece desde 2003 em mais de 100 países, para exigir que governos de todo o mundo cumpram os acordos internacionais da área. No Brasil, a Semana é coordenada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, em parceria com outros movimentos, organizações e redes.
 
Serviço
As pessoas, escolas e organizações interessadas em receber os materiais da Semana de Ação Mundial e saber como realizar atividades locais devem entrar em contato com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação:
Tel.: (11) 3159-1243 e (11) 8793-7711 (TIM)
Skype: campanhaeducacaobrasil
 
Atendimento à ImprensaEntrar em contato com:
Andressa Pellanda
Comunicação Social da Campanha Nacional pelo Direito à EducaçãoTel.: (+55 11) 3159-1243
Cel.: (+55 11) 8793-7711andressa@campanhaeducacao.org.br
 
Fontes para a Imprensa
Maria Nazaré Mota de Lima – Coordenadora da Área de Educação - Ceafro (Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA)
Cleodelice Aparecida Zonato Fante - Plan
Claudia Maia – Coordenadora Técnica da ONG Escola de Gente
Daniel Cara – Coordenador Geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Denise Carreira Soares – Relatora da Relatoria Nacional do Direito Humano à Educação
Maria Cristina Vargas – Coletivo de Educação do MST
Maria Helena Franco – Coordenadora do Projeto Escola sem Homofobia na ECOS Comunicação em Sexualidade
Toni Reis – Presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Estuprada por cerca de 300 homens, Lara Logan, repórter da CBS, dá entrevista

Em 11 de fevereiro, a Lara Logan e um correspondente da CBS News, estava em Tahrir Square prepararando um relatório para o jornal "60 Minutos" quando o clima de comemoração, de repente virou ameaça. Ela foi afastada de seu produtor e do guarda-costas por um grupo de homens que rasgaram suas roupas e lhe batendo, tatearam todo o seu corpo. Lara Logan, quando foi abusada sexualmente por uma multidão na noite em que o governo de Hosni Mubarak no Cairo caiu, pensou que ia morrer. Depois de um mês ela retornou ao trabalho e deu uma entrevista ao The New York Times, contando que estima que o ataque envolveu 200 a 300 homens.
"Por um longo período de tempo, eles me estupraram com suas mãos".
Lara Logan
Sua experiência no Cairo, demosntrou-lhe o quanto as jornalistas do sexo feminino estão frequentemente expostas a um tipo diferente de violência. Enquanto outras formas de violência física, que afeta os jornalistas, são amplamente divulgadas, como o traumatismo crânio-encefálico "sofrido pelo âncora da ABC News Bob Woodruff no Iraque, em 2006”, ganhou uma reportagem de primeira página – entretanto as ameaças sexuais contra as mulheres são raramente falada nos círculos jornalísticos ou na mídia. “Com a violência sexual” , diz Logan, “você só tem a sua palavra para curar as feridas físicas. Você não precisa carregar a prova do jeito que você faria se você tivesse perdido a perna ou o braço no Afeganistão ".
Pouquíssimas pesquisas foram realizadas sobre a violência sexual que afetam as jornalistas em zonas de conflito. Mas nas semanas seguintes do ataque sofrido por Logan, outras mulheres contaram que sofreram perseguição e agresssões durante o trabalho, e grupos como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas disseram que iriam rever os seus manuais para uma melhor resposta a violência sexual. O presidente da CBS e o produtor executivo do "60 Minutes", Jeff Fager, disse que a vioência sofrida pela Sra. Logan iria aumentar a conscientização sobre o problema. "Há um código de silêncio sobre isso que eu acho que é do interesse de Logan e nosso quebrar".
Até então o único comentário público sobre o estupro ocorreu quatro dias depois do acontecido, quando Logan ainda estava no hospital. Ela e o Sr. Fager elaboram uma breve declaração que ela havia "sofrido uma agressão brutal sexual e de espancamento." Nessa declaração, Logan disse, "não me deixem carregar o fardo sozinha, com o meu pequeno segredo sujo, algo que eu tenha de me envergonhar."
O violência aconteceu no dia em que Logan retornou ao Cairo, tendo deixado o local uma semana mais cedo depois de ter sido detida e interrogada pelas forças egípcias. "A cidade estava em chamas com uma celebração" pela saída Mubarak, disse ela, comparando-o a festa do Super Bowl (final do campeonato de futebol americano). Ela e uma equipe de filmagem atravessam a Tahrir Square, o epicentro das comemorações, entrevistando egípcios e tirando fotos com pessoas que queriam ser vistas com uma jornalista americana. "Houve um momento em que tudo deu errado", lembrou.
Quando o cinegrafista, Richard Butler, foi trocar a bateria, colegas egípcios que acompanhavam a equipe de filmagem ouviram falar de homens nas proximidades querendo tirar as calças de Logan. Ela disse: "foi literalmente o momento em que a multidão se lançou sobre mim e eles disseram 'Temos que sair daqui.'". Butler, o produtor de Logan, Max McClellan, e dois motoristas, contratados localmente, ficaram "indefesos", disse Fager, "porque a multidão era tão poderosa". O guarda-costas que havia sido contratado para acompanhar a equipe foi capaz de ficar com Logan por um breve período de tempo. Fager disse para Max, “ver o guarda costa sair da multidão, sem ela, foi um dos piores momentos,". Eles estimam que ficaram separados dela por cerca de 25 minutos.
Logan se recusou a entrar em detalhes sobre o ocorrido, mas disse: "Minhas roupas foram rasgadas em pedaços e o que realmente me impressionou foi como eles foram implacáveis. Eles realmente gostaram de ver a minha dor e sofrimento. Ela (a dor e o sofrimento) incitou mais violência neles".
Depois de ser resgatada por um grupo de civis e soldados egípcios, ela foi rapidamente transportada de volta para os Estados Unidos. "Ela estava muito traumatizada, como você pode imaginar, por um período de tempo", disse Fager.
Logan disse que decidiu quase imediatamente que falaria sobre a violência sexual tanto em nome das jornalistas que sofreram agressões similares, como em nome de "milhões de mulheres ‘mudas’ que estão sujeitas a ataques como este e ainda piores".
Mais de uma dúzia de jornalistas foram detidos na Líbia nos últimos dois meses, incluindo quatro que estavam trabalhando para o The Times. Uma das jornalistas do Times, Lynsey Addario, disse que, “repetidas vezes, foi tocada e assediada por seus captores líbios”. Para a Sra. Logan, saber da experiência da Sra. Addario "dificultou" sua recuperação. Quanto o chefe da CBS, disse que ela iria retornar ao Afeganistão e outras zonas de conflito, ela disse que - por enquanto – preferia não relatar de países do Médio Oriente onde os protestos foram generalizadas. “Quer queiramos ou não, nos tornamos inimigas destes regimes graças a própria natureza do que fazemos - a comunicação de informações".
Antes do ocorrido, Logan disse que não sabia sobre os assédio e abuso que as mulheres no Egito e em outros países sofriam regularmente. "Eu teria prestado mais atenção se eu soubesse de algo neste sentido. Quando as mulheres são perseguidas e submetidas a esta violência na sociedade, (é porque os homens) eles negam (as mulheres) um lugar igual na sociedade. Os espaços públicos não nos pertencem. Os homens os controlam. (e assim) Eles reafirmam seu papel de opressor na sociedade. "
Depois do "60 Minutes" , porém, ela não tem a intenção de dar outras entrevistas sobre o assunto. "Eu não quero que isso me defina", disse ela. Ela disse que o apoio demonstrado pelo Sr. Fager, outros na CBS e pessoas estranhas - como a classe de escola no Texas e o grupo de mulheres na ABC News, que escreveram cartas para ela - foram uma parte em sua recuperação, pois "deram-me uma segurança muito grande e restaurando-me a dignidade e a auto-estima". Entre as cartas que recebeu, destacou ela, a de uma mulher que vive no Canadá e que foi estuprada na traseira de um táxi no Cairo no início de fevereiro, em meio a protestos do Egito. "Essa pobre mulher ia para o aeroporto pedindo para as pessoas ajudá-la e quando ela voltou para casa, sua família lhe disse para não falar sobre isso. Enquanto lia a carta, eu começei a soluçar” disse ela.
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Fonte: The New York Times