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segunda-feira, 18 de julho de 2011

Michelle Obama no Fórum de Jovens Mulheres Líderes Africanas

DISCURSO DA PRIMEIRA-DAMA DURANTE DISCURSO DE ABERTURA NO FÓRUM DE JOVENS MULHERES LÍDERES AFRICANAS
Igreja Regina Mundi
Soweto, África do Sul
10h16 (Horário local)
Muito obrigada. Muitíssimo obrigada.  É um grande prazer e uma honra estar aqui convosco hoje.
Queria começar por agradecer a Graça Machel por esta apresentação tão amável assim como por uma vida inteira a lutar pela causa de mulheres e crianças.
E do fundo do meu coração, gostaria de agradecer-lhe, Graça, por sua gentileza e generosidade demonstrada à minha família e a mim durante a nossa visita aqui.

Tem sido um presente tão bom ... e é realmente um privilégio dividir o palco com você.
Também estou honrada em dividir o palco com outra líder notável, Baleka Mbete, que desempenhou um papel essencial no avanço da igualdade e na promoção do desenvolvimento na África do Sul … obrigada a ambas por estarem aqui hoje.
Quero também agradecer ao arcebispo de Joanesburgo, por nos honrar com a sua presença hoje.
E, obviamente, quero reconhecer os nossos convidados de honra, estas 77 jovens líderes extraordinárias daqui, da África do Sul, e de todo este continente.
Estas jovens estão a transformar as suas comunidades e os seus países… e estou tão impressionada com todas elas e orgulhosa por tudo o que realizaram.
Finalmente, quero agradecer aos dirigentes e à congregação Regina Mundi por nos receberem hoje neste espaço sagrado.
Já se passaram mais de três décadas, mas esses buracos de balas no tecto e este altar partido continuam a ser memórias vivas da história que se desenrolou aqui.
Todos vocês conhecem a história, como há 30 anos em Junho, um grupo de estudantes planeava uma manifestação pacífica para exprimir o seu descontentamento com uma nova lei que exigia que estudassem em Afrikaans.
Milhares saíram à rua com a intenção de se dirigirem ao estádio de futebol Orlando.
Mas quando as forças de segurança abriram fogo, alguns fugiram para esta igreja.
A polícia seguiu-os, primeiro com gás lacrimogéneo, depois com balas.
E apesar de ninguém ter sido morto dentro deste santuário, centenas perderam a vida nesse dia, inclusive um rapaz chamado Hector Pieterson, que tinha apenas doze anos… e Hastings Ndlovu de apenas quinze.
Muitos dos estudantes nem sequer sabiam do protesto quando chegaram à escola nessa manhã.
Mas decidiram participar, conhecendo muito bem os perigos inerentes porque estavam determinados a ter uma educação de acordo com o seu potencial.
Como todos vocês sabem, esse dia de Junho não foi a primeira nem a última vez que esta igreja participou nas contracorrentes da história.
Foi chamada de “parlamento de Soweto”.
Quando a congregação cantava os seus hinos, os activistas faziam planos, cantando os locais e as horas de reuniões secretas.
Os serviços da igreja e até os funerais muitas vezes transformaram-se em manifestações contra o apartheid.
E como disse uma vez o Presidente Mandela, “Regina Mundi tornou-se um símbolo mundial da determinação do nosso povo de se libertar”.
É uma história que se desenrolou neste país e neste continente e também no meu próprio país… a história de jovens há vinte anos, cinquenta anos, que marcharam até ficarem com os pés em carne viva… que aguentaram espancamentos e balas e décadas por trás das grades… que arriscaram e sacrificaram tudo o que tinham pela liberdade que mereciam.
É por causa deles que nos podemos reunir aqui hoje.
É por causa deles que tantas destas jovens líderes podem agora perseguir os seus sonhos.
É por causa deles que estou aqui hoje como Primeira Dama dos Estados Unidos da América.
Este é o legado da geração da independência, a geração da liberdade.
E todos vocês – jovens deste continente – são herdeiros do seu sangue, do seu suor, do seu sacrifício e do seu amor.
A questão que se coloca hoje é, o que farão dessa herança?
Que legado deixarão aos vossos filhos e netos?
Que geração será a vossa?
Ora, eu podia fazer estas perguntas aos jovens em qualquer país, em qualquer continente.
Mas há uma razão para eu querer vir aqui à África do Sul e conversar convosco.
Como disse o meu marido, a África é uma parte fundamental do nosso mundo interligado.
E quando se trata de definir os desafios da nossa época – criar emprego na economia mundial… promover a democracia e o desenvolvimento… enfrentar as alterações climáticas e o extremismo, a pobreza e a doença… por tudo isto, o mundo está a olhar para África como um parceiro essencial.
É por isso que não estamos apenas interessados em estender uma mão amiga a África; estamos interessados em fazer parcerias com os africanos, que definem o seu futuro combatendo a corrupção e criando instituições democráticas fortes… cultivando novas culturas e tomando conta dos doentes.
E, mais do que nunca, estamos a olhar para vocês, os nossos jovens, para mostrarem o caminho.
E não estou a dizer isto apenas para que se sintam bem.
A verdade é que em África, as pessoas com menos de 25 anos constituem 60% da população.
E aqui na África do Sul, quase dois terços dos cidadãos têm menos de 30 anos.
Assim, nos próximos vinte anos, nos próximos quinze anos, o nosso futuro será determinado pela vossa liderança.
E quero deter-me um pouco nessa palavra, liderança.
Sei que, com frequência, quando pensamos no que significa ser um líder pensamos em presidentes e primeiros ministros.
Pensamos em pessoas que promulgam leis, comandam exércitos ou dirigem empresas… pessoas com títulos pomposos e grandes salários.
A maioria dos jovens não se encaixa nessa imagem.
E eu sei que quando vocês tentam fazer-se ouvir, as pessoas nem sempre prestam atenção.
Sei que há os que não ligam às vossas opiniões… que dizem que vocês não estão preparados… que dizem que devem voltar a sentar-se e esperar a vossa vez.
Mas estou aqui hoje porque quando se trata dos desafios que enfrentamos, simplesmente não temos tempo para nos sentarmos e esperarmos.
Estou aqui porque acredito que cada um de vocês está pronto, aqui e agora, a começar a vencer esses desafios.
E estou aqui porque sei que a verdadeira liderança – liderança que ergue famílias, liderança que sustenta comunidades e transforma nações – esse tipo de liderança raramente começa em palácios ou parlamentos.
Esse tipo de liderança não se limita aos que têm uma certa idade ou posição.
E esse tipo de liderança não se refere apenas a eventos notáveis que mudam o curso da história num instante.
A verdadeira liderança muitas vezes acontece com os actos mais pequenos… nos locais mais inesperados…pelas pessoas mais improváveis.
Pensem no que aconteceu em Soweto há 35 anos.
Muitos dos estudantes que chefiaram esta sublevação eram mais novos do que vocês.
Transportavam letreiros feitos com caixas de cartão e sacos de lona.
Contudo, juntos fizeram com que o mundo tomasse consciência desta causa.
E agora celebramos o Dia Nacional da Juventude e o Mês Nacional da Juventude todos os anos, em sua honra.
Pensem nos gigantes desta luta, pessoas como Albertina Sisulu, cuja morte recente todos nós choramos.
Tendo ficado órfã na adolescência, trabalhou como enfermeira para sustentar os seus irmãos.
E quando o seu marido, Walter Sisulu, se tornou Secretário Geral da ANC, ela teve que cuidar dos filhos.
Quando ele esteve preso durante 26 anos, foi ela quem continuou o seu trabalho.
E com o amor incondicional de uma mãe por este país, lançou-se na luta.
Dirigiu boicotes, manifestações e marchas, incluindo a Marcha das Mulheres de 1956… quando milhares de mulheres de todo o país reuniram-se em Pretoria para protestarem contra as leis promulgadas.
Eram mulheres de todas as cores, muitas delas muito mais velhas do que vocês.
Algumas transportavam os seus bebés às costas.
Durante 30 minutos ficaram juntas em completo silêncio, erguendo as suas vozes apenas para cantar canções de liberdade como Nkosi Sikelel iAfrica.
O seu lema era simples, mas claro: “Se atingirem uma mulher, atingem uma rocha”.
Ma Sisulu… os estudantes de Soweto… essas mulheres em Pretoria… tinham pouco dinheiro, ainda menos posição social e nenhum título.
Mas o que elas tinham era a sua visão de uma África do Sul livre.
O que elas tinham era uma convicção inabalável de que mereciam essa liberdade – e tinham a coragem para agir de acordo com essa convicção.
Cada uma delas escolheu ser uma rocha pela justiça.
E com incontáveis actos de coragem e rebeldia, juntas, transformaram este país.
Juntas abriram o caminho para eleições livres e justas… para um processo de cicatrização e reconciliação… e para a ascensão da África do Sul como um líder político e económico na cena mundial.
Ora, eu sei que quando a vossa geração olha para trás para essa luta… e para os muitos movimentos de libertação do século passado… pode pensar que as grandes lutas ideológicas já foram ganhas.
Quando ouvem histórias de leões como Madiba e Sisulu e Luthuli podem pensar que nunca conseguirão igualar esses feitos. 
Mas embora os desafios actuais possam não inspirar a retórica elevada e o drama de lutas passadas… as injustiças existentes não são menos notórias.
O sofrimento humano não é menos agudo.
Por isso, não se enganem: ainda existem muitas coisas pelas quais vale a pena fazer sacrifícios.
Ainda há muita história por escrever.
Vocês podem ser a geração que faz descobertas e constrói indústrias que transformam as nossas economias.
Vocês podem ser a geração que traz oportunidade e prosperidade a cantos esquecidos do mundo e erradica a fome deste continente.
Podem ser a geração que acaba com o VIH/SIDA na nossa época…a geração que combate não só a doença, mas o estigma da doença… a geração que ensina ao mundo que o VIH é totalmente evitável e tratável e que nunca deve ser motivo de vergonha.
Podem ser a geração que responsabiliza os nossos líderes por um governo aberto e transparente a todos os níveis… um governo que acabe com a corrupção e proteja os direitos de todos os cidadãos a exprimirem-se livremente, terem a religião que quiserem e amarem quem quer que escolham.
Podem ser a geração que assegura que as mulheres deixem de ser cidadãos de segunda classe… que as raparigas ocupem o seu devido lugar nas nossas escolas.
Podem ser a geração que se ergue e diz que qualquer forma de violência contra as mulheres, em qualquer lugar, incluindo no lar – especialmente no lar – não é apenas a violação dos direitos de uma mulher.
É uma violação dos direitos humanos.
E não há lugar para isso em nenhuma sociedade.
Esta é a história que a vossa geração pode escrever.
Ora, vou ser honesta convosco… os vossos esforços podem nem sempre chamar a atenção do mundo.
Podem não dirigir grandes protestos que enchem estádios e esvaziam as ruas da cidade.
E a mudança que pretendem pode vir lentamente, pouco a pouco, medida não por mudanças radicais na lei, mas por melhorias diárias nas vidas as pessoas.
Contudo posso dizer-vos graças à minha própria experiência e à experiência do meu marido que este trabalho não é menos significativo…. nem menos inspirador… e nem menos urgente do que aquilo que leram nos livros de história.
Vejam, não foi há muito tempo que eu e o meu marido éramos jovens como vocês, no início das nossas carreiras.
Depois de terminar os estudos universitários, Barack arranjou emprego como organizador comunitário numa comunidade em dificuldades no lado sul de Chicago.
Muitas pessoas estavam desempregadas e mal conseguiam sobreviver.
As crianças tinham poucas oportunidades e pouca esperança no futuro.
E ninguém pensava realmente que este indivíduo magro, com um nome esquisito, pudesse fazer alguma diferença.
Mas Barack começou a conversar com as pessoas.
Exortou-as a trabalhar pela mudança pretendida.
E logo, as pessoas começaram a unir-se para conseguirem programas de formação, escolas melhores e habitações mais seguras para as suas famílias.
Lentamente, esse bairro começou a mudar.
Pouco a pouco, as pessoas começaram de novo a ter esperança.
E isso deu muita esperança a Barack.
Eu tive uma experiência semelhante na minha própria carreira.
Tal como o meu marido, vim de uma família modesta.
Os meus pais pouparam e sacrificaram-se para que eu pudesse ter uma educação.
E quando me licenciei, consegui emprego numa grande firma de advogados com um bom salário e um escritório luxuoso.
Os meus amigos ficaram impressionados.
A minha família ficou orgulhosa.
Aparentemente eu estava a viver o sonho.
Mas eu sabia que faltava algo.
Sabia que não queria ficar bem no alto de um edifício sozinha num escritório a escrever memorandos.
Queria estar no terreno a trabalhar com crianças e a ajudar as famílias a arranjar comida e a ter um tecto onde morar.
Por isso deixei esse emprego por outro a formar estudantes para carreiras no serviço público.
Ganhava muito menos dinheiro.
E o meu escritório era definitivamente mais pequeno.
Mas todos os dias, via esses jovens a obterem aptidões e confiança.
Vi-os a aconselhar e inspirar outros jovens.
E isso foi uma inspiração para mim.
Eu e o meu marido não mudámos qualquer lei… nem ganhámos qualquer prémio… nem tivemos as nossas fotografias no jornal. 
Mas estávamos a fazer uma diferença na vida das pessoas.
Éramos parte de algo maior do que nós próprios.
E sabíamos que, à nossa maneira, estávamos a ajudar a construir um mundo melhor.
E isso é precisamente o que tantos jovens estão a fazer todos os dias através do continente.
Estas 77 jovens são um exemplo extraordinário.
Tomemos como exemplo Gqibelo Dandala daqui da África do Sul.
Ela deixou uma carreira lucrativa num banco de investimento para fundar o projecto Future of the African Daughter [Futuro da Filha Africana], uma organização que ajuda mulheres jovens das zonas rurais e de paróquias.
Acerca do seu trabalho, ela diz: “… estamos a construir um legado que irá sobreviver-nos e ultrapassar-nos…”
Depois há Robyn Kriel, uma jovem jornalista do Zimbabué que escreveu acerca de corrupção e de violações dos direitos humanos no seu país.
Foi espancada pela polícia.
A sua casa foi alvo de uma batida.
E a sua mãe foi presa.
Mas ela não perdeu a sua paixão pela informação, porque como diz, as pessoas do Zimbabué “querem que as suas histórias sejam contadas”.
E há Grace Nanyonga que está aqui connosco hoje, vinda do Uganda.
Tendo ficado órfã aos 13 anos, começou a cozinhar e a vender peixe durante as férias escolares para sustentar os seus seis irmãos.
Decidida a ter uma educação, ela fundou a sua própria empresa… e fez dinheiro suficiente para frequentar a universidade.
E agora iniciou uma organização que forma mulheres locais para trabalharem na sua empresa de modo a poderem sustentar as suas famílias.
Acerca das suas realizações, ela diz simplesmente, “Venci contra todas as dificuldades” e “quero ser um exemplo para as raparigas no meu país e não só”.
Ora, Grace podia ter-se contentado em ganhar muito dinheiro e cuidar apenas da sua família.
Gqibelo podia ter progredido na empresa e nunca olhar para trás.
E ninguém teria culpado Robyn se, depois de tudo o que passou, decidisse abandonar o jornalismo e seguir uma carreira mais fácil.
Mas estas jovens não podiam contentar-se com o seu próprio conforto e sucesso quando sabiam que outras pessoas estavam a lutar.
Estão a ver, é assim que as pessoas conscientes encaram o mundo.
É a convicção, como diz muitas vezes o meu marido, de que se qualquer criança tiver fome isso me importa, mesmo que não seja minha filha.
Se qualquer família for destruída pela doença, então não posso ficar satisfeita com a minha boa saúde.
Se qualquer pessoa por perseguida devido ao seu aspecto ou aquilo em que acreditam, isso diminui a minha liberdade e ameaça também os meus direitos.
E no fim, o sentido de interligação… a profundidade da compaixão… a determinação de agir perante situações impossíveis… essas são qualidades do espírito e do coração que eu espero que definam a vossa geração. 
Espero que todos vocês rejeitem o falso conforto de que o sofrimento dos outros não é problema vosso… ou de que não conseguem resolver todos os problemas do mundo e por isso nem sequer devem tentar.
Em vez disso, como gostava de dizer Teddy Roosevelt, um dos nossos grandes presidentes americanos, espero que procurem fazer “o que puderem, com o que tiverem, onde estiverem”. 
Porque no fim isso é que faz de vocês um leão.
Não a fama nem a fortuna… não a vossa fotografia nos livros de história… mas a recusa de serem meros espectadores quando outros estão a sofrer… e o compromisso de servir como puderem.
Não, não será fácil.
Terão fracassos e contratempos e muitos momentos de frustração e dúvida.
Mas se começarem a perder coragem… quero que pensem uns nos outros.
Pensem em Grace, a sustentar a sua família sozinha.
Pensem em Robyn, que suportou espancamentos para poder contar as histórias das pessoas.
Pensem em Ma Sisulu, a criar os filhos sozinha… sobrevivendo ao desterro, ao exílio e à prisão.
Ao pensar no seu percurso, ela disse uma vez com a sua proverbial humildade, “todos estes anos nunca tive uma vida confortável”.
Então vocês talvez não tenham sempre uma vida confortável.
E não resolverão todos os problemas do mundo de uma vez.
Mas nunca subestimem o impacto que podem ter.
Porque a história tem mostrado que a coragem pode ser contagiosa… e a esperança pode ter a sua própria vida.
É o que acontece quando um pai pergunta “Porque é que o meu filho deve ir à escola e não a minha filha”?
Ou uma mãe pergunta, “Porque é que devo pagar um suborno para iniciar um negócio a fim de sustentar a minha família”?
Ou um estudante se levanta e declara, “Sim, sou seropositivo e eis como estou a tratar disso e como posso fazer para que não se transmita”.
E logo, levam outros a começar a fazer perguntas.
Inspiram os outros a manifestar-se.
Essas são as “ondas de esperança” de que um jovem senador americano chamado Robert Kennedy falava quando veio à África do Sul há 45 anos em Junho… “os inúmeros actos de coragem e convicção… que podem derrubar os poderosos muros da opressão e da resistência”.
É assim que uma igreja se pode tornar um parlamento.
É assim que um hino pode ser um apelo à acção.
É assim que um grupo de jovens com apenas alguns cartazes feitos à mão e a sua convicção no potencial que Deus lhes deu consegue galvanizar uma nação.
E é assim que os jovens de todo o mundo podem inspirar-se mutuamente e conseguir forças uns nos outros.
Hoje estou a pensar nos jovens activistas que se reuniram na Biblioteca Americana aqui em Soweto para lerem os discursos do Dr. Martin Luther King. 
E estou a pensar como o Dr. King se inspirou no Chefe Albert Luthuli e nos jovens daqui da África do Sul.
Estou a pensar em jovens sul-africanos a cantar o hino dos direitos civis We Shall Overcome [Nós Devemos Superar] nas ruas da Cidade do Cabo e de Durban.
E estou a pensar como Nkosi Sikelel iAfrica ecoou pelos campus universitários nos EUA quando os estudantes, incluindo o meu marido, planeavam boicotes para apoiar os estudantes aqui na África do Sul.
Estou a pensar nesta igreja e como os vitrais dessas janelas, que retratam a luta, foram oferecidos pelo povo da Polónia.
O obelisco da paz no parque lá fora foi oferecido pelo povo do Japão.
E todas as semanas, visitantes de todos os cantos do mundo vêm aqui para testemunharem e se inspirarem na vossa história.
Finalmente, estou a pensar na história do meu próprio país.
A América tornou-se independente há mais de dois séculos.
Já se passaram quase 50 anos desde as vitórias do nosso próprio movimento dos direitos civis.
Contudo, ainda lutamos todos os dias para aperfeiçoar a nossa união e viver de acordo com os nossos ideais.
E todos os dias, são os nossos jovens é que mostram o caminho.
Estão a alistar-se nas forças armadas.
Estão a dar aulas em escolas com dificuldades.
Estão a trabalhar voluntariamente durante horas a fio e de várias formas nas suas comunidades.
E nas últimas eleições presidenciais participaram na nossa democracia como nunca o tinham feito antes.
Estudaram as questões e seguiram as campanhas nos noticiários.
Bateram a portas sob a neve e temperaturas muito baixas e sob um sol ardente, exortando as pessoas a votar.
E esperaram durante horas na fila para votar.
Vi a mesma paixão e a mesma determinação em servir nos jovens que encontrei em todo o mundo… da Índia a El Salvador… do México ao Reino Unido à África do Sul.
Por isso, hoje quero que saibam que ao procurarem ajudar as vossas famílias, as vossas comunidades, os vossos países e o nosso mundo, nunca estão sozinhos.
Como disse Bobby Kennedy aqui na África do Sul há uns anos, “… vocês estão unidos aos jovens de todos os países, eles a lutarem com os seus problemas e vocês com os vossos, mas todos unidos num fim comum…. determinados a construir um futuro melhor”.
E se alguém ainda duvidar de que vocês são capazes de construir esse futuro…. se alguém vos disser que não devem ou não conseguem… quero que vocês digam a uma só voz – a voz de uma geração – “sim, nós podemos”.
Obrigada e que Deus vos abençoe.
FIM   10h50 (Horário local)
(Distribuído pelo Escritório de Programas Internacionais de Informação do Departamento de U. S. de Estado. Website : http://iipdigital.usembassy.gov/iipdigital-pt/index.html)

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