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quinta-feira, 19 de julho de 2012

V Latinidades, Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha - DF

De 23 a 29 de julho, a quinta edição do Latinidades, com realização da Griô Produções e da Ossos do Ofício, promove ações afirmativas no sentido de dar visibilidade e voz à mulher negra.
O Latinidades promove debates, feira, shows, intervenções culturais, lançamentos literários, oficinas, exibição de documentário, seminário e rodas de conversa sobre o tema Juventude Negra, foco desta quinta edição do Festival, que, desde 2008, traz temas como machismo, racismo e a superação de desigualdades, com recorte de gênero e raça, sempre acompanhado de uma programação cultural gratuita.
O Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha propõe uma programação rica e diversificada, a cada edição anual, construída a partir da necessidade de reparação do prejuízo histórico vivido pelas mulheres negras. Neste sentido, em 2012, o tema será Juventude Negra, por ser a principal vítima da violência urbana. “No Brasil, os dados que nos levaram a realização do Latinidades sob esse tema são impactantes. A juventude negra encabeça a lista dos desempregados e dos que têm maior defasagem escolar.” Justifica Jaqueline Fernandes, coordenadora geral.
Nosso país conta com cerca de 11,5 milhões de jovens negros entre 18 e 24 anos de idade, o que representa 6,6% da população. A taxa de analfabetismo é de 5,8%. Em média, os jovens negros têm dois anos a menos de estudo do que os brancos da mesma faixa etária: 7,5 anos e 9,4 anos, respectivamente. A comparação das taxas de escolarização é um indicador de como o sistema educacional brasileiro ainda tem muito o que fazer para combater as desigualdades raciais: a proporção de crianças no ensino fundamental é de 92,7% para negros e de 95% para brancos; no entanto, somente 4,4% dos negros, de 18 a 24 anos, chegam ao ensino superior; entre os brancos, esse percentual é de 16,6%*.
A equação perversa de diversos fatores tais como racismo, pobreza, discriminação institucional e impunidade, contribui para a falência do sistema de segurança e justiça em relação à população negra. Essa relação não é fruto do acaso: distorções como a “presunção de culpabilidade” em relação aos negros resulta em ações que promovem a eliminação pura e simples dos suspeitos, violando os direitos humanos e constitucionais desses jovens. Ações que de tão recorrentes e banalizadas denunciam um processo silencioso de eliminação desse grupo da população.*
*Do artigo Juventude negra e exclusão radical, de Maria Aparecida Bento e Nathalie Beghin.
“Realizar o Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, para nós, significa refletir o lugar da mulher afro-descendente no Brasil e os desafios da luta contra a pobreza e o racismo, aumentando, assim, as possibilidades de dar visibilidade as mulheres negras da América Latina e Caribe.” Comenta Jaqueline.
Ações realizadas durante o Festival:
Shows:
Complexo Cultural da República, no ponto de encontro do Festival de Teatro Cena Contemporânea:
25/7, a partir das  20h:
Cabelaço | Bloco Afro Ilê Aiyê | Paula Lima | Cris Sobral (DF) | Sistema Criolina
Cabelaço é uma ação político-cultural, promovida pelo coletivo Pretas Candangas, que agrega samba de roda, intervenção poética, com Cris Sobral, demonstração de tranças afro e confecção de turbantes.
O dia 25 de julho, desde 1992, foi instituído como o Dia Internacional da Mulher Afro Latino Americana e Caribenha. Nesta data foi realizado o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos, na República Dominicana. É um dia para ampliar parcerias, dar visibilidade à luta, às ações, promoção, valorização e debate sobre identidade negra em todo o continente. Latinidades vem reafirmar a importância de dar visibilidade ao 25 de julho como marco de lutas em todo o continente.
26/7, a partir das 21h:
Calango Pensante – batalha de rimas (DF) |  GOG |  Sistema Criolina
Dia para lançamento do décimo disco do GOG – Iso 9000 do Gueto. Será no palco do ponto de encontro do Cena Contemporânea, que GOG vai estrear seu mais novo show, com a apresentação de danças afro-contemporâneas, intervenções audiovisual e capoeira. A noite começa com a “Batalha de Rimas”, comandada pelo MC Ahoto Skrew, como temas a África e a América Latina, a igualdade racial e a cultura afro. Para esquentar e instigar a criatividade dos MC’s, um júri vai escolher o mestre que melhor trouxer rimas improvisadas.
27/7, a partir das 21h:
Puerto Candelaria (Colômbia) | Sistema Criolina
Puerto Candelaria, criador de novos ritmos através do encontro entre Cumbia Underground e o Jazz, é o grupo que incluiu a Colômbia no mercado mundial do Jazz, da música experimental e da World Music. Atualmente, Puerto Candelaria traz à cena musical da de seu país de origem, uma proposta musical mais desafiadora, controversa e inovadora dos últimos tempos. A banda tem como base de sua sonoridade os ritmos populares, recriando propostas inovadoras cheias de imaginação, provocando os sentimentos e suscitando as emoções de seu público por onde passa.
28/7, a partir das 14h:
Feira Preta | Gaby Amarantos (PA) | Sistema Criolina
Feira Preta, criada em São Paulo, é hoje um dos maiores eventos de cultura negra do país. Em Brasília, o Latinidades promove uma feira com 20 stands de roupas, artesanato, bijuterias e muito mais, reforçando empreendimentos étnicos.
Gaby Amarantos, nascida e criada na periferia de Belém, canta desde seus 15 anos de idade influenciada por cantoras como Clara Nunes, Ella Fitzgerald e Billie Holiday e pelos bregas Francis Dalva e Reginaldo Rossi, mas deixa claro que a sua maior influência está no bairro em que nasceu, onde tudo toca ao mesmo tempo. Deu início a sua carreira solo em 2010 e logo foi corada como a rainha do tecnobrega. Gaby está entre as 100 pessoas mais influentes do ano de 2011, pela Revista Época. Novidades, fotos, biografia e download de músicas no site oficial www.gabyamarantos.com
29/7, a partir das 17h:
Quarteto Marakamundi (DF) | Ellen Oléria (DF) | Yusa (Cuba)
A música instrumental do Quarteto Marakamundi tem como proposta apresentar a riqueza da reunindo bossa nova, samba, rumba e o montuno, associada ao improviso do jazz. O quarteto já tem 13 anos de estrada.
Yusa, uma artista cubana que renova a música latino-americana no mundo com traços das canções tradicionais de trova. A musicista representa a nova onda de músicos da ilha caribenha de Cuba, que condensa a tradição de seu país com a música de todo o resto do mundo. Guitarrista desde os seis anos, Yusa tem graduação em guitarra clássica. Desde 2001 ela excursiona pela Europa e Ásia e esta será sua primeira vez no Brasil.
Seminário – Com a realização de oito mesas, duas oficinas e três rodas de conversa sobre temas relacionados à Juventude Negra, trazendo dados de toda a América Latina à mesa. O Seminário vai acontecer nas Regiões Administrativas do Itapuã, Paranoá, Varjão, no Presídio Feminino Colméia e na Universidade de Brasília.
Ao final desta série de ações, todas as falar comporão um publicação, com o propósito de construir um documento com os posicionamentos de mulheres negras, artistas, políticas, pesquisadoras, membras de entidades e movimentos, que compuseram as mesas do Seminário. Publicação que será distribuída às entidades em sintonia com os temas, em toda América Latina.
Os temas do seminário incluem políticas públicas, emprego e renda, saúde, identidade e comunicação, orientação sexual e racismos. Ao final, todos os participantes do Seminário receberão uma declaração com a carga horária cumprida e os temas discutidos.
23/7 às 16hPolíticas Públicas para a Juventude Negra
24/7 às 10hEducação
24/7 às 14hEmprego e Renda
24/7 às 16hSaúde da População Negra
25/4 às 10hCultura
25/4 às 14hGenocídio da juventude afro-latina
25/5 às 16hNovas perspectivas para a militância feminista e os rumos do feminismo negro na América Latina
26/7 às 10hIdentidade e comunicação
26/7 às 14hOrientação sexual e identidade de gênero
27/7 às 16hRacismo Ambiental na América Latina
O Seminário acontece no Auditório da Biblioteca Nacional, com 90 vagas para cada tema discutido. Para se inscrever basta enviar e-mail, informando a mesa de interesse, para latinidades2012@grioproducoes.mus.br. Mais informações: www.afrolatinas.com.br/novo
Intervenções Urbanas – Intervenções artísticas sobre identidade negra, em áreas públicas, como na Rodoviária do Plano-piloto, em estações de metrô e na Praça do Complexo Cultural da República, com a apresentação de músicos e artistas plásticos, tanto de Brasília quanto de outros Estados e também uma convidada internacional.
Lançamento de obras literárias Publicações que trazem temas políticos e culturais acerca da rica e vasta cultura negra, produzidos no Brasil e no exterior. Dando mais visibilidade mais oportunidade a autoras e autores negros da América Latina e Caribe, como forma de disseminar conhecimento sobre ações afirmativas e políticas de reparação, bem como a cultura e a religião.  Entre os autores convidados estão Cris Sobral, Renata Felinto e Cidinha Silva.
Setembro
Presídio Feminino Colméia – Região Administrativa do Gama – DF
Oficina de Comunicação | Roda de conversa: Lei Maria da Penha | Palestra Saúde Integral da Mulher | Rádio Afrolatina
Cidade Estrutural – DF
Palestra Saúde Integral da Mulher | Roda de Conversa Racismo Ambiental | Rádio Afrolatina
Outubro
Varjão, Paranoá e Itapuã – DF
Rodas de conversa com debate e apresentação do documentário Afrobrasilienses
“Acreditamos que ao final do Festival, nós teremos conseguido dar mais voz e mais visibilidade à mulher negra. Com a circulação de artistas, geração empregos, mesmo que temporários, o intercâmbio e interação entre negras e não-negras, capacitação pessoas e elevando a auto-estima destas lindas mulheres americanas e caribenhas.” Afirma Jaqueline Fernandes. E acrescenta: “Só reforçando que, com a realização do Latinidades nos esperamos chegar a mais de 30.000 mil pessoas em toda América Latina e Caribe.”

Contato para entrevistas:
Jaqueline Fernandes – Coordenação Geral
e-mail:
grioproducoes@gmail.com
Celular:
61- 7814 2907

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