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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre as indicações de Arany Santana e Luiza Bairros

MEXER EM COLMEIA COM VARA CURTA...

Tenho um amigo cuja amizade foi construída com carinhosas doses de respeito mútuo, misturada com sonhos, desejos e solidariedade de que no Brasil seja possível viver sem racismo. Para isso, ainda precisamos de muito trabalho, seja nos movimentos sociais, em especial o negro e de mulheres, seja nas instâncias de poder, na implementação de políticas públicas, muitas recentemente abortadas pelos racistas de plantão, com a conivência de negociadores no Congresso Nacional. Nesse caso, me refiro à aprovação (?) do Estatuto da Igualdade. Mas o que eu quero dizer agora trata-se de uma amizade entre pessoas que não querem pouca coisa, nem se contentam com pouco.

Outra marca de nossa amizade ele demonstra quando adoeço. Ah! Nesses casos, ele costuma dizer “se cuide, você não imagina quantos anos serão necessários para surgir uma outra pessoa, com o seu perfil”. Ouvir isso de um dos criadores do Instituto Cultural Steve Biko - o primeiro curso de pré-vestibular para negros no Brasil, há mais de 18 anos - é tão gostoso, é tão agradável, que mexe com a minha autoestima tão achincalhada por práticas diárias de violência racial e sexual que até assusta e enfraquece uma virose. Não é exagero não!!!

E é disso que quero falar um pouco, já que foi uma mistura de falta de respeito e de reconhecimento do papel histórico de nossas lideranças negras que me motivou responder as mal escritas notas e texto do Sr. Law Araújo, uma tentativa infantil, imatura, inconsequente de atacar, pessoas que ele, no afã oportunista de assegurar uma cadeira na dança dos/as ministeriáveis, esqueceu que as nossas diferenças não devem alcançar os pilares básicos da luta negra como a resistência histórica dos povos negros escravizados no Brasil e respeito à ancestralidade.

Falo isso porque aprendi a respeitar mulheres guerreiras, nobres como Arany Santana e Luiza Bairros. O Sr.Law não deve saber nem consegue imaginar o que é fazer parte de um grupo que criou o primeiro bloco afro baiano, o Ilê Aiyê e ler no Jornal A Tarde, após o primeiro desfile público da entidade algo como: “tom destoante no Carnaval de Salvador?” Será que ele já parou para refletir o significado de se levar para o Carnaval uma dança negra, até então guetizada pelo racismo baiano cujos passos básicos nos embalam hoje nas noites de festa negra? Ou de falar em história da África em sala de aula muitos anos antes da criação da Lei 10.639, como fez Arany Santana.

Será que o senhor. consegue imaginar o que é apresentar à sociedade brasileira uma proposta de beleza negra, hoje literalmente replicada em vários estados brasileiros e, com isso, levantar a autoestima das mulheres negras que passaram a esticar o pescoço (e não os cabelos) e a olhar os racistas, como diz Vilma Reis, uma grande liderança negra, com o bico na diagonal? Esse exemplo não é pouca coisa não Sr. Law Araújo. É mudança. É resistência. É identidade negra. É enfrentamento ao racismo do nosso jeito. Tudo isso, com a participação de Arany Santana. É mole?

Agora vamos combinar: é preciso ser muito ‘banda voou” (ainda se fala essa expressão? Sou tão dinossaura...) para pensar que, usando as novas tecnologias, as novas redes sociais, alguém pode desqualificar uma mulher negra com as trajetórias de militâncias social e acadêmica de uma Luiza Bairros. Não consegue não. Pelo contrário. Acredito que a intenção foi tão infeliz que os resultados já estão na mesa. Não consegue não. Pelo contrário. Acredito que a intenção foi tão infeliz, que os resultados já estão na mesa.

Quem chegou ao doutorado e trabalha com questões de gênero e raça sabe que dois textos de Luiza, escritos na década de 90 quebraram as barreiras acadêmicas e são referências ainda hoje, 2010, “Nossos feminismos revisitados” e “Lembrando Lélia González” porque foram produzidos de um lugar bem ausente e alvo de caras feias e de narizes torcidos no Ensino Superior: o lugar da militância, de quem pensa, projeta para o futuro o que se constrói no hoje: a possibilidade de construirmos um feminismo negro, que reconheça as diferenças e as particularidades do que é ser mulher negra no Brasil, na diáspora, É pouco? Luiza Bairros, brilhantemente investiu na inauguração de uma outra epistemologia, originária da produção de mulheres negras. Quer mais? Vamos lá, então, sem recorrer ao Currícul o Lattes.

Luiza Bairros foi militante do Movimento Negro Unificado (MNU/1978), uma das primeiras entidades negras com caráter nacional do Brasil, com ramificações em vários estados nacionais, com um pequeno detalhe: o MNU foi criado em plena Ditadura Militar. Eu tenho orgulho de pertencer a esse grupo e se precisar, algum dia posso lhe traduzir o que significou a criação de uma entidade negra e nacional, repito, em plena Ditadura Militar. Afora isso e, até dando um salto gigantesco no tempo, vamos pensar rápido: Luiza Bairros seria indicada para atuar no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD/ONU se não tivesse ‘bala na agulha?’ Teria assumido uma Secretaria de Estado sem o apoio das feministas negras e brancas baianas e de vários segmentos do Movimento Negro baiano e nacional? E mais: ao final de sua gestão, marcada por problemas, dificuldades e conquistas ser considerada uma das melhores secretarias petistas no enfrentamento do racismo e sexismo? Gente vamos respeitar né?

Só mais uma coisinha: dessa sua intempestiva, inconsequente e imatura atitude, com o apoio da Conen (é mesmo?) ficou uma lição: mexer com vara curta em colmeia cheia de abelhas rainhas dá problema. E a depender da espécie dessas abelhas, o saldo pode ser fatal viu? Hum... ferrão de abelha rainha, quem agüenta? Suas notas e texto evidenciaram sua total irresponsabilidade com nossas lideranças que assumiram cargos públicos levando uma proposta de governo que contemplasse a população negra e que ainda hoje enfrenta resistência dentro dos governos petistas. Por favor, me aponte quantos outros secretários e ministros petistas querem saber dessa conversa?

Seus escritos mostram contradições elementares entre o que está no seu twitter e na abertura de um desses folhetins e que pisoteiam a idéia de credibilidade. Mesmo assim não deu prá segurar. Afinal, mexer em colméia de abelha com vara curta... Lamento que sua opção seja por um caminho suicida. Mas aproveite e reúna outros amadores incompetentes, pois esse tipo de política é descartável. Respeito é bom e está presente nas culturas de matrizes africanas. Divergência política é outra coisa, mas pode se dar, também no campo do respeito.

Agora vamos combinar outra coisa o Senhor. se alvoroça em afirmar várias vezes em um mesmo texto, com as mesmas palavras “minhas abordagens políticas”. Menossssss! O que ficou evidente nas suas mal redigidas notas e texto é sua ‘guerra aberta’ com a  Língua Portuguesa. Quer um exemplo? Em um trecho o Senhor diz:” minha construção política, tanto para o enfrentamento da diversidade no debate político institucional interno, como também na sociedade”. Reveja: o melhor não seria, em vez de enfrentar a diversidade, defendê-la, como um caminho possível do conhecimento e respeito de outras culturas e posturas?

Também vejo em seus textos uma intenção desrespeitosa com duas mulheres negras e... principalmente, o seu medo e já desespero, causados apenas por “fofocas” sobre  possíveis indicações de mulheres negras vitaminadas como Arany Santana e Luiza Bairros para compor os governos petistas. Por último um pedido, motivado pelo Sr.: não me deixem de fora das articulações em defesa dos nomes de Arany Santana e Luiza Bairros para os governos Dilma e Jaques Wagner. Afinal... terei o maior prazer em assinar embaixo dessas sugestões e me aliar a essas duas abelhas rainhas.

Ceres Santos

Jornalista (DRT 6156)
Mestra em Educação
Coordenadora Executiva do Ceafro
Uma das primeiras afiliadas ao PT/RS no ano do seu surgimento

sábado, 13 de novembro de 2010

Encontro Baiano Mulheres e Mídias - BA



Evento reunirá representantes da poder público estadual, dos veículos privados de comunicação e da sociedade civil para aprofundar o debate de idéias e reforçar as demandas das mulheres por políticas públicas

Pela primeira vez, a cidade de Salvador é sede de um encontro que discutirá a inserção da mulher na mídia baiana e as políticas públicas voltadas para esse segmento na comunicação, trata-se do “Encontro Baiano Mulheres e Mídias”. O evento acontecerá no dia 30 de novembro (terça-feira), a partir das 9h, no Cine XIV (Pelourinho) e reunirá diversas representantes dos setores público e privado e da sociedade civil, como a secretária de Promoção da Igualdade (SEPROMI), Luiza Bairros, a apresentadora do programa Boa Tarde Bahia, da TV Bandeirantes, Rita Batista e Rachel Moreno da Articulação Nacional Mulher e Mídia. As inscrições são gratuitas e estão disponíveis no www.mulheremidiabahia.blogspot.com.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Convocação Conselho Municipal da Mulher de Salvador - BA

CONVOCAÇÃO
         O Conselho Municipal da Mulher de Salvador – CMM, convoca as Entidades que atuam no atendimento, promoção, defesa e garantia do direito da mulher com efetivo funcionamento na cidade de Salvador, para participarem da Assembléia de Seleção das 23 (vinte e três) Conselheiras titulares e 7 (sete) Suplentes que comporão o Conselho Pleno do CMM para o biênio 2011/2012 - nos termos do Art. 3º. Paragrafo 1º. Da Lei de Criação número 3.542 de 18 de Outubro 1985, alterada pela Lei 5.016 de 05 de Julho de 1995, Criada pelo Decreto Municipal 7.452 de 05 de Dezembro de 1985, edita as normas que regulamentam o Processo de Escolha das Entidades - membros não governamentais do Conselho que ocorrerá sob fiscalização das Conselheiras da gestão 2009/2010 do CMM.

            A seleção será realizada no dia 07 de Dezembro de 2010, no Auditório do Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, tendo seu inicio às 14:00 horas, salvo motivo de força maior, comunicado pela comissão de seleção.

            A Comissão do Processo de Escolha, responsável pela organização e realização da seleção das Entidades - membros não governamentais do CMM, em conformidade com a Assembléia Geral do dia 15 de Outubro de 2010.


              A participação na Comissão do Processo de Escolha não impede a Instituição de concorrer como votante ou candidata ao pleito; 

           Para participar do processo eleitoral, concorrendo ou votando, a entidade deverá encaminhar ao CMM até o dia 03 de Dezembro de 2010, os seguintes documentos:
a)      Requerimento conforme formulário disponibilizado pelo CMM (original);
b)      Ata de fundação da Entidade(cópia);
c)      Ata de Eleição e posse da Diretoria atual (cópia);
d)      Estatuto registrado em Cartório;
e)      CNPJ atualizado (cópia);

Obs.: A constatação de fraude das cópias apresentadas, a qualquer tempo, motivará a impugnação da Entidade;
 
Voce pode fazer o favor de divulgar no seu banco de dados que o CMM  esta selecionando as novas integrantes para o Biênio 2011/2012

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Workshop sobre Sexualidades e Educação - BA

Após o sucesso do I Workshop organizado pelos estudantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência - PIBID Sociologia, já tem data marcada o próximo evento da série de Workshops que discutirá temas relevantes da educação formal, tal como Bullying entre outros.
Para a segunda edição, o tema será Sexualidades e Educação. Com participação da professora Anelise Froes da Silva, da UFSC, e de Tereza Cristina Pereira Carvalho Fagundes, professora da UNIFACS.
Sobre a importância da discussão no espaço escolar, argumenta o estudante Caio Cerqueira:
"Com a inclusão do tema Sexualidade nos Parâmetros Curriculares do Ensino no Brasil (PCN) houve a necessidade de discussão do tema em caráter transversal levando-se em consideração uma abordagem culturalista. No entanto, partindo para a observação direta nem sempre a situação educacional é esta, o que nos deixa um questionamento: os professores entenderam as propostas contidas nos PCNs? Há pessoas preparadas nas mais diversas áreas que consiga dar suporte às discussões? E como estão sendo tratadas essas discussões?"
O evento ocorre no dia 1º de dezembro de 2010, às 9horas na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA, em Salvador.

Os participantes inscritos terão direito a certificados. Faça sua inscrição. Vagas Limitadas!!!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Palestra "Estudos Africanos na Jamaica & Panafricanismo e empoderamento socioerótico de mulheres afrodescendentes" - BA

No âmbito do programa Sephis - Lecture Tour, a professora jamaicana Annecka Marshal dará uma palestra sobre emporderamento de mulheres negras no Caribe, Jamaica em especial. Annecka teve seu doutoramente na universidade de Warwick no Reino Unido, com pesquisa sobre sexualidade e mulher negra, além disso, ela tem grande participação em programas de Rádio na Jamaica e integra diferentes associações internacionais de mulheres negras.

Haverá tradução feita por Raquel de Souza para a palestra e conversas com a professora Annecka.

Annecka Marshal, Ph.D
Local: Ceao, Largo Dois de Julho
Dia: 17 de novembro, quarta-feira
Horário: 19 horas

sexta-feira, 5 de novembro de 2010