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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

PNUD lança indicador de disparidade de gênero

Nova York, 04/11/2010
Nova medida de disparidade entre gêneros indica que perda mundial é de 56%; índice brasileiro é o 80º em lista de 138 nações e territórios






 
O RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano), apresentado nesta quinta-feira em Nova York, apresenta o IDG (Índice de Desigualdade de Gênero), que capta as desvantagens das mulheres e as perdas de potencial de desenvolvimento em três dimensões que espelham o IDH: saúde reprodutiva, empoderamento (autonomia) e atividade econômica.
Na primeira dimensão, são contabilizados a mortalidade materna e a proporção de adolescentes que tiveram filhos. Na segunda, o percentual de homens e mulheres no parlamento e de homens e mulheres de 25 anos ou mais com pelo menos o segundo grau completo. A desigualdade na atividade econômica é mensurada pela participação dos dois sexos no mercado de trabalho.
O IDG varia de 0 a 1, e, ao contrário do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), quanto mais próximo de 1, pior — ou seja, maior é a desigualdade entre os gêneros. Ele reflete, segundo o relatório, “a perda no desenvolvimento humano resultante da desigualdade entre as realizações femininas e masculinas nessas dimensões”.
A desigualdade entre os sexos faz o Brasil perder 63% de seu potencial de desenvolvimento humano. O país aparece em 80º lugar na lista de 138 nações e territórios, com índice de 0,631.






O relatório aponta que países com IDH baixo geralmente apresentam desigualdades acentuadas entre os gêneros. As dez nações com maiores discrepâncias entre homens e mulheres são Camarões (0,763), Costa do Marfim, Libéria (0,766), República Centro-Africana (0,768), Papua Nova Guiné (0,784), Afeganistão (0,797), Mali (0,799), Níger (0,807), República Democrática do Congo (0,814) e Iêmen (0,853). Já os países mais igualitários nesse sentido são Holanda (0,174), Dinamarca (0,209) e Suécia (0,289).
“Dar oportunidades iguais a meninas e mulheres em educação, direitos sociais, política e tratamento médico não é apenas uma questão de justiça social, mas um dos melhores investimentos a serem feitos para o desenvolvimento”, afirma Jeni Klugman, chefe da equipe que elaborou o RDH.
O Brasil se destaca na proporção entre homens e mulheres com pelo menos o ensino secundário completo. É o 17º país com situação mais favorável a elas nesse indicador. A proporção de brasileiras que alcançaram esse nível de escolaridade é 2,5 pontos percentuais maior que a de brasileiros. O país é um dos 34 em que a parcela de mulheres com ao menos o ensino médio completo supera a de homens. “Um nível de educação superior aumenta as liberdades das mulheres ao fortalecer a capacidade delas para questionar, refletir e atuar sobre sua condição, e ao aumentar o acesso à informação”, destaca o relatório.






No outro indicador de autonomia, o percentual de cadeiras no parlamento nacional para pessoas do sexo feminino, o Brasil aparece apenas no 127º lugar. Ruanda é o destaque, com 50,9% de assentos — é o único país em que elas predominam no parlamento. “A represen¬tação parlamentar nacional, que reflete a visi¬bilidade das mulheres na liderança política e, em termos mais gerais, na sociedade tem aumentado ao longo dos tempos — embora a média global seja apenas de 16%”, aponta o RDH.












A participação de mulheres no mercado de trabalho (exercendo atividade profissional ou procurando emprego) é de 64% no Brasil. A porcentagem ainda é inferior à registrada entre os homens (85,2%), mas supera a média mundial (57%). No quesito desigualdade na força de trabalho, o país aparece na 96ª posição. O destaque positivo é Burundi, onde 91,5% das pessoas do sexo feminino trabalham.






Os indicadores de saúde não refletem exatamente desigualdade entre homens e mulheres, pois dizem respeito a maternidade. O que eles demonstram é o grau de atenção que a sociedade dá a um parto seguro e, portanto, á saúde reprodutiva da mulher. Se nos outros grupos de indicadores o cenário ideal é uma ausência de desigualdade de gênero, aqui é o cumprimento do que deveriam ser metas da sociedade: nenhuma morte materna, nenhuma gravidez adolescente não planejada.
No entanto, é justamente nesta dimensão que a perda em desenvolvimento humano é maior, e em todas as regiões do planeta: 99% na África Subsaariana, 98% no Sul da Ásia e 96% nos países árabes e na América Latina e Caribe. “A reprodução tem sido um risco, e frequentemente começa muito cedo, comprometendo a saúde e as oportunidades futuras”, frisa o estudo do PNUD.
Na taxa de mortalidade materna, o Brasil aparece em 79º, com 110 óbitos em 100 mil partos — número menor que as médias latino-americana (122) e mundial (273).







Já na fertilidade de adolescentes (número de nascimentos a cada mil mulheres com 15 a 19 anos) o número brasileiro (75,6) supera tanto a média da América Latina (72,6) quanto a global (53,7). O país fica na 123ª posição nesse indicador — neste caso, quanto menos jovens deram à luz, melhor a colocação no ranking.





Mês da Consciência Negra no CEAO/UFBA - BA

Minicurso de Literatura Afro-Brasileira: Práticas Pedagógicas – O grupo de pesquisa EtniCidades: escritoras/es e intelectuais afro-latinas/os  realiza evento com abordagens nas literaturas negra e infanto-juvenil, da mulher e da religião. Auditório Agostinho da Silva (3283-5502). R$ 10. Segunda a quinta-feira, às 18h. Dias 8, 9, 10 e 11 de novembro.

Seminário mulheres no sistema prisional baiano – O evento faz parte do Projeto Encruzilhada de Direitos e será desenvolvido a partir da parceria com: Sepromi, Casa Civil Tribunal de Justiça da Bahia – Vara de Execuções Penais, SJCDH; SEDES; SETRE;  SESAB; SSP (DEAM’s) Secretaria de Saúde, Ministério Pْblico, FUNCEP e com entidades do movimento de mulheres.  Auditório Milton Santos (3283-5520). Quarta-feira, das 9 às 20h. Dia 10 de novembro.

Corpo-Imagem dos Terreiros: Experiência ritual e Produção de Presença – O debate faz parte do projeto contemplado pelo Programa Pensamento e Cultura com participação de Marco Aurélio Luz, Ilê Asipé e professor da UFBA; dos fotَgrafos Adenor Gondim, Aristides Alves, Bauer Sá; Marcelo Bernardo da Cunha, coordenador do Museu Afro, professor do CEAO/UFBA. Auditَrio Milton Santos (3283-5502). Quinta-feira, às 18h30. Dia 18 de novembro.

Reuniمo com Militantes dos Movimentos Negros dos Estados Unidos – O evento terá a participação de representantes do NAACP, da Fundaçمo Ford e da Fundação Século 21, entre outros. Auditório Milton Santos (3283-5520). Quarta-feira, das 10 às 14h. Dia 24 de novembro.

Lançamento do livro "Colonos e Quilombolas” - Com a presença de Cidinha da Silva, uma das quatro mulheres que fizeram entrevistas com familiares de moradores da colônia africana de Porto Alegre. O livro "Colonos e Quilombolas” registra histórias dos territórios negros urbanos formados em Porto Alegre/RS, findo o trabalho escravizado, por meio do testemunho e da voz iconogáfica de se us protagonistas, moradores da região conhecida como Colônia Africana. Auditório Milton Santos (3283-5520). Quinta-feira, às 18h. Dia 25 de novembro.

A Situação dos Negros no Mercado e Trabalho da Região Metropolitana de Salvador. O debate terá a participação de Ana Margaret Simões, coordenadora da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do DIEESE; Luiz Chateaubriand, sociَlogo e analista da PED; e mediação da Profa. Paula Barreto, coordenadora do CEAO. (3283-5502). Segunda-feira. Dia 29 de novembro

Palestra Arte Afro-Brasileira com o Prof. Dr. Kabengele Munanga – O evento integra o 1° Seminário Afro-Brasileiro de Artes Visuais faz parte das comemorações do mês da consciência negra realizado pelo Museu Afro-Brasileiro do CEAO e da Associação Afro-Brasileira dos Artistas Plásticos. Auditَrio Agostinho da Silva (3283-5541). Terça-feira, às 18h30. Dia 30 de novembro.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Palestra “Mulheres e o Espetáculo Queer do Esporte” - RJ

Car@s,
Gostaríamos de convidá-l@s em conjunto com o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e “Sport”: Laboratório de Historia do Esporte e do Lazer (www.sport.ifcs.ufrj.br), ambos da UFRJ, para a palestra “Mulheres e o Espetáculo Queer do Esporte” a ser proferida pela Profa. Jennifer Doyle da University of California, Riverside no Fórum de Ciência e Cultura (FCC) da UFRJ no dia 8 de novembro (segunda-feira), às 19 h. A entrada é livre e gratuita. Para mais informações sobre a localização favor consultar www.forum.ufrj.br.
A palestra será feita em inglês mas contará com a gentil colaboração na tradução para o português da Profa. Liv Sovik (ECO/UFRJ). Na palestra, Jennifer Doyle discutirá como gênero e sexualidade contribuem para compreendermos como artistas se relacionam em seus trabalhos com o mundo do esporte, em especial, o futebol, enfatizando as imagens de mullheres dentro de uma perspectiva feminista e queer. Vídeos, performances e instalações de artistas como Harum Farocki (que teve mostra de seus trabalhos recentemente exibida no CCBB/Rio), Wu Ingrid Tsang, Math Bass, Douglas Gordon, Phillipe Parreno serão mencionados na apresentação e clips poderão se apresentados em conjunto com apresentações esportivas.
Jennifer Doyle é autora de Sex Objects: Art and the Dialectics of Desire (Minneapolis: University of Minnesota Press, 2006) , em breve disponível também em francês. É co-editora de New Feminist Theories of Visual Culture, número especial de Signs (Spring 2006) e de Pop Out: Queer Warhol (Durham: Duke University Press, 1996). No momento ela finaliza três projetos de livro: Hold It Against Me: Difficulty and Emotion in Contemporary Art (a sair pela Duke Duke University Press); Imaging the Athlete (título provisório, coletânea de ensaios sobre a política cultural do esporte e a relação entre comunidades de atletas e artistas); e Uncoupled: Friends, Lovers, and Others, coletânea de ensaios sobre formas de intimidade e pertencimento fora da estrutura do par romântico em autores e performers como Louisa May Alcott, Dianne DiPrima, Tracey Emin, Thomas Hardy, Adrian Howells, Andy Warhol e Edith Wharton. Ela tem escrito para diversos jornais e revistas (entre eles The International Herald Tribune e The Guardian) bem como realizado curadorias de exibições e peformances em Los Angeles e arredores, entre elas Aqui No Hay Virgenes: Queer Latina Visibility (2007) e You Belong to Me: Performance and the Ethics of Presence (2009).
A vinda da Profa. Jennifer Doyle ao Brasil só foi possível graças ao patrocínio do Festival Panorama 2010 (http://panoramafestival.com/) a quem agradecemos.

Contamos com sua presença e também agradecemos a divulgação para eventuais interessad@s
Denilson Lopes, Superintedente de Difusão Cultural, FCC/UFRJ

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Curso "Criação de sites na internet" para mulheres - BA

Dias 8 e 9 de novembro
inscrições até dia 04 de novembro através do email: secneim@ufba.br (ficha de inscrição abaixo)

Clientela:
Mulheres lideranças comunitárias, que tenham noções básicas em computação: que já tenham e-mail e que saibam navegar pela web.

Objetivo:
Capacitar lideranças comunitárias no uso de tecnologias digitais para facilitar e estimular a participação das mulheres na produção de conteúdos, na criação de redes sociais, e na promoção do software livre e da cultura digital.
Capacitar mulheres jovens e adultas, de Salvador e região metropolitana, para uma efetiva participação na produção de cultura digital, usando prioritariamente software livre

Conteúdos:
criação de sites na internet, blogs, wikis, CMS, elementos de HTML, uso de tags e RSS,  

Duração: 
8 horas (2 encontros, dias 8 e 9 de novembro, entre as 14 e 18h) . 
 
Local:  
LabDebug, sala 08 da Facom/UFBA (Campus de Ondina, perto do PAF III)
 
Vagas: 15
 
Realização:
Este curso é parte do projeto de pesquisa e extensão Mulher e tecnologia. Teorías e Práticas na cultura digital, coordenado pelas professoras Karla Brunet (IHAC/Poscultura) e Graciela Natansohn (Facom/PosCom)

Apoio:
NEIM/UFBA.
Inscrição: através do endereço secneim@ufba.br ou neim@ufba.br
  
Ficha de inscrição:
  1. Nome....................................................................................................
  2. C. Identidade ......................................................................................
  3. grau de instrução ...............................................................................
  4. entidade...............................................................................................
  5. endereço .............................................................................................
  6. como pretende usar o curso ...............................................................

Primeiro discurso de Dilma Russef como Presidenta do Brasil


PRONUNCIAMENTO DE 31 DE OUTUBRO DE 2010
Minhas amigas e meus amigos de todo o Brasil,
É imensa a minha alegria de estar aqui.
Recebi hoje de milhões de brasileiras e brasileiros a missão mais importante de minha vida.
Este fato, para além de minha pessoa, é uma demonstração do avanço democrático do nosso país: pela primeira vez uma mulher presidirá o Brasil. Já registro portanto aqui meu primeiro compromisso após a eleição: honrar as mulheres brasileiras, para que este fato, até hoje inédito, se transforme num evento natural. E que ele possa se repetir e se ampliar nas empresas, nas instituições civis, nas entidades representativas de toda nossa sociedade.
A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia. Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: SIM, a mulher pode!
Minha alegria é ainda maior pelo fato de que a presença de uma mulher na presidência da República se dá pelo caminho sagrado do voto, da decisão democrática do eleitor, do exercício mais elevado da cidadania. Por isso, registro aqui outro compromisso com meu país:
Valorizar a democracia em toda sua dimensão, desde o direito de opinião e expressão até os direitos essenciais da alimentação, do emprego e da renda, da moradia digna e da paz social.
Zelarei pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa.
Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.
Zelarei pela observação criteriosa e permanente dos direitos humanos tão claramente consagrados em nossa constituição.
Zelarei, enfim, pela nossa Constituição, dever maior da presidência da República.
Nesta longa jornada que me trouxe aqui pude falar e visitar todas as nossas regiões.
O que mais me deu esperanças foi a capacidade imensa do nosso povo, de agarrar uma oportunidade, por mais singela que seja, e com ela construir um mundo melhor para sua família.
É simplesmente incrível a capacidade de criar e empreender do nosso povo. Por isso, reforço aqui meu compromisso fundamental: a erradicação da miséria e a criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras.
Ressalto, entretanto, que esta ambiciosa meta não será realizada pela vontade do governo. Ela é um chamado à nação, aos empresários, às igrejas, às entidades civis, às universidades, à imprensa, aos governadores, aos prefeitos e a todas as pessoas de bem.
Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, enquanto houver famílias morando nas ruas, enquanto crianças pobres estiverem abandonadas à própria sorte.
A erradicação da miséria nos próximos anos é, assim, uma meta que assumo, mas para a qual peço humildemente o apoio de todos que possam ajudar o país no trabalho de superar esse abismo que ainda nos separa de ser uma nação desenvolvida.
O Brasil é uma terra generosa e sempre devolverá em dobro cada semente que for plantada com mão amorosa e olhar para o futuro.
Minha convicção de assumir a meta de erradicar a miséria vem, não de uma certeza teórica, mas da experiência viva do nosso governo, no qual uma imensa mobilidade social se realizou, tornando hoje possível um sonho que sempre pareceu impossível.
Reconheço que teremos um duro trabalho para qualificar o nosso desenvolvimento econômico. Essa nova era de prosperidade criada pela genialidade do presidente Lula e pela força do povo e de nossos empreendedores encontra seu momento de maior potencial numa época em que a economia das grandes nações se encontra abalada.
No curto prazo, não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas para impulsionar nosso crescimento. Por isso, se tornam ainda mais importantes nossas próprias políticas, nosso próprio mercado, nossa própria poupança e nossas próprias decisões econômicas.
Longe de dizer, com isso, que pretendamos fechar o país ao mundo. Muito ao contrário, continuaremos propugnando pela ampla abertura das relações comerciais e pelo fim do protecionismo dos países ricos, que impede as nações pobres de realizar plenamente suas vocações.
Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda os efeitos de uma crise financeira de grandes proporções e que se socorre de mecanismos nem sempre adequados, nem sempre equilibrados, para a retomada do crescimento.
É preciso, no plano multilateral, estabelecer regras mais claras e mais cuidadosas para a retomada dos mercados de financiamento, limitando a alavancagem e a especulação desmedida, que aumentam a volatilidade dos capitais e das moedas. Atuaremos firmemente nos fóruns internacionais com este objetivo.
Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade. O povo brasileiro não aceita mais a inflação como solução irresponsável para eventuais desequilíbrios. O povo brasileiro não aceita que governos gastem acima do que seja sustentável.
Por isso, faremos todos os esforços pela melhoria da qualidade do gasto público, pela simplificação e atenuação da tributação e pela qualificação dos serviços públicos.
Mas recusamos as visões de ajustes que recaem sobre os programas sociais, os serviços essenciais à população e os necessários investimentos.
Sim, buscaremos o desenvolvimento de longo prazo, a taxas elevadas, social e ambientalmente sustentáveis. Para isso zelaremos pela poupança pública.
Zelaremos pela meritocracia no funcionalismo e pela excelência do serviço público.
Zelarei pelo aperfeiçoamento de todos os mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo.
Valorizarei o Micro Empreendedor Individual, para formalizar milhões de negócios individuais ou familiares, ampliarei os limites do Supersimples e construirei modernos mecanismos de aperfeiçoamento econômico, como fez nosso governo na construção civil, no setor elétrico, na lei de recuperação de empresas, entre outros.
As agências reguladoras terão todo respaldo para atuar com determinação e autonomia, voltadas para a promoção da inovação, da saudável concorrência e da efetividade dos setores regulados.
Apresentaremos sempre com clareza nossos planos de ação governamental. Levaremos ao debate público as grandes questões nacionais. Trataremos sempre com transparência nossas metas, nossos resultados, nossas dificuldades.
Mas acima de tudo quero reafirmar nosso compromisso com a estabilidade da economia e das regras econômicas, dos contratos firmados e das conquistas estabelecidas.
Trataremos os recursos provenientes de nossas riquezas sempre com pensamento de longo prazo. Por isso trabalharei no Congresso pela aprovação do Fundo Social do Pré-Sal. Por meio dele queremos realizar muitos de nossos objetivos sociais.
Recusaremos o gasto efêmero que deixa para as futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
O Fundo Social é mecanismo de poupança de longo prazo, para apoiar as atuais e futuras gerações. Ele é o mais importante fruto do novo modelo que propusemos para a exploração do pré-sal, que reserva à Nação e ao povo a parcela mais importante dessas riquezas.
Definitivamente, não alienaremos nossas riquezas para deixar ao povo só migalhas.
Me comprometi nesta campanha com a qualificação da Educação e dos Serviços de Saúde.
Me comprometi também com a melhoria da segurança pública.
Com o combate às drogas que infelicitam nossas famílias.
Reafirmo aqui estes compromissos. Nomearei ministros e equipes de primeira qualidade para realizar esses objetivos.
Mas acompanharei pessoalmente estas áreas capitais para o desenvolvimento de nosso povo.
A visão moderna do desenvolvimento econômico é aquela que valoriza o trabalhador e sua família, o cidadão e sua comunidade, oferecendo acesso a educação e saúde de qualidade.
É aquela que convive com o meio ambiente sem agredi-lo e sem criar passivos maiores que as conquistas do próprio desenvolvimento.
Não pretendo me estender aqui, neste primeiro pronunciamento ao país, mas quero registrar que todos os compromissos que assumi, perseguirei de forma dedicada e carinhosa.
Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso.
Fui eleita com uma coligação de dez partidos e com apoio de lideranças de vários outros partidos. Vou com eles construir um governo onde a capacidade profissional, a liderança e a disposição de servir ao país será o critério fundamental.
Vou valorizar os quadros profissionais da administração pública, independente de filiação partidária.
Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte não haverá discriminação, privilégios ou compadrio.
A partir de minha posse serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.
Nosso país precisa ainda melhorar a conduta e a qualidade da política. Quero empenhar-me, junto com todos os partidos, numa reforma política que eleve os valores republicanos, avançando em nossa jovem democracia.
Ao mesmo tempo, afirmo com clareza que valorizarei a transparência na administração pública. Não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis de meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos.
Deixei para o final os meus agradecimentos, pois quero destacá-los. Primeiro, ao povo que me dedicou seu apoio. Serei eternamente grata pela oportunidade única de servir ao meu país no seu mais alto posto. Prometo devolver em dobro todo o carinho recebido, em todos os lugares que passei.
Mas agradeço respeitosamente também aqueles que votaram no primeiro e no segundo turno em outros candidatos ou candidatas. Eles também fizeram valer a festa da democracia.
Agradeço as lideranças partidárias que me apoiaram e comandaram esta jornada, meus assessores, minhas equipes de trabalho e todos os que dedicaram meses inteiros a esse árduo trabalho.
Agradeço a imprensa brasileira e estrangeira que aqui atua e cada um de seus profissionais pela cobertura do processo eleitoral.
Não nego a vocês que, por vezes, algumas das coisas difundidas me deixaram triste. Mas quem, como eu, lutou pela democracia e pelo direito de livre opinião arriscando a vida; quem, como eu e tantos outros que não estão mais entre nós, dedicamos toda nossa juventude ao direito de expressão, nós somos naturalmente amantes da liberdade. Por isso, não carregarei nenhum ressentimento.
Disse e repito que prefiro o barulho da imprensa livre ao silencio das ditaduras. As criticas do jornalismo livre ajudam ao pais e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório.
Agradeço muito especialmente ao presidente Lula. Ter a honra de seu apoio, ter o privilégio de sua convivência, ter aprendido com sua imensa sabedoria, são coisas que se guarda para a vida toda. Conviver durante todos estes anos com ele me deu a exata dimensão do governante justo e do líder apaixonado por seu pais e por sua gente. A alegria que sinto pela minha vitória se mistura com a emoção da sua despedida.
Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós.
Baterei muito a sua porta e, tenho certeza, que a encontrarei sempre aberta.
Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade. A tarefa de sucedê-lo é difícil e desafiadora. Mas saberei honrar seu legado.
Saberei consolidar e avançar sua obra.
Aprendi com ele que quando se governa pensando no interesse público e nos mais necessitados uma imensa força brota do nosso povo.
Uma força que leva o país para frente e ajuda a vencer os maiores desafios.
Passada a eleição agora é hora de trabalho. Passado o debate de projetos agora é hora de união.
União pela educação, união pelo desenvolvimento, união pelo país. Junto comigo foram eleitos novos governadores, deputados, senadores. Ao parabenizá-los, convido a todos, independente de cor partidária, para uma ação determinada pelo futuro de nosso país.
Sempre com a convicção de que a Nação Brasileira será exatamente do tamanho daquilo que, juntos, fizermos por ela.
Muito obrigada.

Em seu primeiro pronunciamento, Dilma destaca papel das mulheres

Dilma Rousseff (PT) destacou neste domingo o fato de ser a primeira mulher eleita presidente do Brasil em seu pronunciamento após a vitória. Segundo ela, sua eleição é uma demonstração do avanço democrático do país 

 
A petista disse que seu desejo é que esse "fato até hoje inédito se transforme em um evento natural".
"Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: sim, a mulher pode."
"A igualdade de oportunidade entre homens e mulheres é um princípio essencial da democracia", completou.
Dilma prometeu respeitar a Constituição. "Vou zelar pela a mais ampla liberdade de imprensa e pela mais ampla liberdade de culto."
A eleita também destacou as realizações do governo Lula e falou de sua campanha.
"O que mais me deu confiança e esperança, ao mesmo tempo, foi a capacidade imensa do nosso povo de agarrar uma oportunidade, por menor que seja, para com ela construir mundo melhor.
  Alan Marques/Folhapress 
Dilma cumprimenta militantes antes do discurso da vitória
Dilma cumprimenta militantes antes do discurso da vitória

Antes, em entrevista dentro do carro que a levou de sua casa para o hotel em Brasília, Dilma afirmou estar "muito feliz".
"É uma sensação de muita força e muita alegria. Estou muito feliz e agradeço aos brasileiros e brasileiras por esse momento."
A petista recebeu mais de 55 milhões de votos dos 105 milhões registrados nesta eleição.
Com 99,34% das urnas apuradas, Dilma está com 55,99% dos votos válidos (55.354.520 votos), enquanto José Serra (PSDB) tem 44,01% (43.514.344).
A abstenção foi de 21,44%. Entre os eleitores, 2,31% votaram em branco e 4,40%, nulo. 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Seminário "Mulheres na Batalha pela Cidadania: Dialogando sobre a Mercantilização dos Corpos" - BA

Em comemoração aos 10 anos, o Projeto Força Feminina realiza o Seminário: Mulheres na Batalha pela Cidadania: Dialogando sobre a Mercantilização dos Corpos.
O seminário tem como objetivo possibilitar à sociedade o conhecimento da realidade, dos desafios e contrastes em que estão inseridas as mulheres em situação de prostituição e sensibilizar a organismos públicos, sociais, eclesiais e acadêmicos para tal questão. Tem como principais eixos temáticos as questões de gênero, o contexto da Prostituição e a Cidadania.
Acontecerá nos dia 10, 11 e 12 de novembro de 2010.
Incio das inscrições – 01 de outubro (1kg de alimento não-perecível).
Enviar ficha de inscrição para o e-mail: 10anospffinscricao@gmail.com até o dia 05 de novembro.